14 de dez. de 2019

Autismo - A deficiência que ninguém vê!

O que é o autismo pra você? Que cara ele deve ter? Quais os sinais?
Hoje, cada vez mais, percebo que as pessoas concebem o autismo com as características clássicas, de alguém em completa alienação, que não fala, não olha nos olhos e apresenta algum tipo de estereotipia o tempo todo, se balança ou movimenta as mãos.
Talvez isso tenha se instalado na mente das pessoas e se enraizado, devido a esteriótipos vistos em filmes, novelas e outras formas de mídia.
Porém o autismo não tem apenas essa "cara", apresentação e forma!
O que mais ouço de famílias de autistas, que não é propriamente uma reclamação, é o fato em comum de "os outros" falarem o tempo todo, sobre nossos filhos: "ah mas ele não parece autista"...
Gostaria muito que as pessoas procurassem entender melhor o que é o autismo e suas formas, graus e sutilidades e que não precisássemos ficar o tempo todo explicando, para pessoas que na verdade parecem estar questionando o diagnóstico de nossos filhos, num misto de dúvida e desconfiança de nossa fala.
Hoje temos muito mais diagnósticos de autismo,  graças ao maior acesso à informação e principalmente à serviços de saúde e também, precisa-se levar em consideração que o conceito do próprio autismo mudou, hoje ele se divide nos graus leve, moderado e severo e cada autista é único com suas características e peculiaridades.
O grau mais leve, abraçou a também chamada síndrome de Asperger e realmente pode ser tão sútil, principalmente no caso de uma criança que teve intervenções precoces, (como o caso de meu filho), que as pessoas dificilmente percebem.
Parece até um contrassenso, mas não raro, precisamos ficar tentando provar que nossos filhos tem uma condição peculiar e isso é extremamente incômodo e constrangedor, precisar ficar tentando provar as dificuldades e limitações do autista.
Graças ao tratamento, hoje as nuances do autismo são cada vez mais brandas por aqui, mas há para nós, dias difíceis, em que muitas questões comportamentais se manifestam com grande intensidade e realmente, tentamos minimizar essas "crises" sempre que podemos, evitando filas, lugares com barulhos, grandes aglomerações de pessoas, mas nem sempre é possível se privar de tudo isso, ainda mais em época natalina, saídas para compras, shoppings, férias, lazer em família.
É  geralmente nesses momentos que mais precisamos que as leis que amparam o autista sejam respeitadas e coincidentemente, é nesse mesmo momento que acontecem os questionamentos.
Tenho percebido a imensa necessidade de conscientização da população e a necessidade de instrumentos que identifiquem o autista de forma oficial, o que deve acontecer com a nova carteira nacional do autista, de acordo com a Lei Romeo Mion - PL 2.573, recentemente aprovada pelo Senado em processo final de tramitação.
Será um documento exclusivo para os portadores de TEA, que além de conter os direitos, ainda servirá como base para se saber o número de autistas no país, por se tratar de documento federal, aceito e reconhecido em todo o território nacional, diferente das carteiras expedidas em alguns municípios e estados e também diferente do RG, que é um documento de identificação civil.
Um grande avanço para que sejamos mais respeitados e menos questionados.
Um autista pode falar pouco, não falar ou ainda, falar muito.
Pode não olhar nos olhos e pode olhar.
Pode apresentar estereotipias ou não.
Pode ter grande sensibilidade auditiva ou não.
Pode apresentar crises e disruptivos ou não.
Não se baseie no que você acha que é o autismo, compreenda e respeite esse transtorno e em caso de dúvidas, acolha ao invés de julgar.
A empatia ainda é o melhor ingrediente de um ser humano melhor, seja essa pessoa!

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