Recentemente eu havia comentado sobre a diminuição da frequência com que as crises do Théo vinham acontecendo... também a diminuição da agressividade, auto-agressão e comportamentos inadequados.
Não há como precisar exatamente o que pode ter provocado o que podemos chamar de regressão.
Aconteceram várias mudanças entre o fim de abril e agora (julho), mas desde o início de maio notamos um enorme retrocesso comportamental e de lá para cá, só piorou!
Mas o que pode ter acontecido?
Bem... vou tentar, em ordem cronológica, falar sobre todos os eventos que aconteceram nesse período.
Em abril, notei que o Théo estava tendo crises de ausência... ele ficava completamente fora do ar e não se comunicava por um tempo, como se estivesse realmente em outra dimensão.
Poucos dias depois da "grande crise", descobri que o nome daquilo realmente era crise de ausência. Um tipo de convulsão epilética, diferente da epilepsia clássica, onde a pessoa cai, perde a consciência e tem espasmos musculares pelo corpo.
Nesse tipo de crise, a pessoa "desliga" por alguns segundos, mas parece que está apenas distraída.
No caso do Théo, envolveu algunsmovimentos bastante sutis, como tremor de uma das mãos.
Por esse motivo, ele passou por um internamento na UTI para observação e preservação da questão neurológica, já que estava fazendo várias crises em um espaço bem curto de tempo.
Quase no fim de abril, o neuro alterou a medicação que ele já fazia uso (e ajudava na questão da agressividade), pois passou a usar uma dose mais alta do anticonvulsivante, que ele iniciou no internamento.
Praticamente 10 dias após essa alteração na medicação, nos mudamos!
O Théo nasceu no sobrado que deixamos e conheceu sua nova casa com ares de pouco contentamento.
Na primeira noite que passou lá, ao chegar a hora de dormir, pediu para subir e se deu conta que não tinha mais escada!
Foi um transtorno... ele ficou bem "desorganizado" e os primeiros dias foram como um filme de terror.
Ele jogava os objetos longe, não conseguia brincar, não conseguia literalmente ter referência de nada, de onde estavam as coisas dele, como tudo funcionava e isso ficou muito evidente pelo comportamento dele.
Como a casa ficou mais distante da escolinha dele, alteramos o horário da van, que passava em torno de 7:40, salvo os dias em que eu estava de plantão. E 6:45 passou a ser o horário diário de ida pro CMEI.
Com isso ele começou a ficar 1:15 rodando na van.
Também no início de maio, saiu a vaga para equoterapia e como já estava havendo uma dificuldade em relação ao trabalho para levá-lo às terapias, abrimos mão das atividades de quarta: natação na Unibrasil e Psicomotricidade Aquática pela APABB.
Começamos a manter a segunda-feira livre para poder ir pela manhã à equoterapia e a tarde para Fono e Integração Sensorial. Nas sextas ficamos com o ABA e T.O.
Com essa alteração de horários e terapias, eu que ia no CMEI buscá-lo na segunda, quarta e na sexta para as terapias, passei a ir apenas na sexta!
Essa mudança na rotina por si só, desencadeou um grande problema que refletiu diretamente no comportamento dele no CMEI e isso fez com que ele começasse a ter vômitos frequentes, inclusive até propositais, para forçar que eu fosse buscá-lo mais cedo.
Ele passou a perguntar se a mamãe ia buscá-lo, durante o dia todo.. para as professoras, diretora e todo o quadro de funcionários do CMEi, fato que já iniciava na van, desde seu embarque.
Imaginem o tamanho do problema: ele embarcava na van e perguntava se a mamãe ia buscar na creche.
Primeiro respondiam que não e com o choro, acabavam dizendo que sim, eu iria buscar, para minimizar o sofrimento dele, que ficava repetindo a pergunta exaustivamente, durante 1:15 e chorando .
Aí, quando chegava no CMEI ele fazia a mesma pergunta e as professoras explicavam que não, eu não iria buscá-lo.
Enquanto isso, no trabalho, para conseguir sair e acompanhar as terapias, sugeriu-se que eu fizesse alguns plantões noturnos, para que não faltasse funcionário durante o minha ausência.
Com isso, passei a trabalhar algumas vezes durante o dia e outras durante a noite, o que gerou uma enorme dificuldade para a rotina do Théo, que já não sabia se eu ia estar em casa de dia, de noite, quem iria dormir com ele.
Ele passou a acordar e perguntar: "quem é você" pra saber se era a mamãe ou a irmã e algumas vezes até a vovó, que também dormiu com ele!
Então a rotina foi oficialmente "destruída" e "desestabilizada"!
Fui chamada no CMEI e tive uma reunião de quase 2 horas com a direção e professora do Théo.
Criamos um quadro de rotinas, que era impossível até para um adulto entender, quanto mais para o Théo que tem toda uma dificuldade em organizar coisas não concretas.
Ele passou a embarcar na condução com uma foto da van, para saber que a van ia buscá-lo e apenas na sexta, levava a foto da mamãe na creche, para ele entender que eu iria pegá-lo ssomente naquele dia.
Foto da mamãe no trabalho, da irmã em casa, do papai... tentei fazer o máximo de imagens reais para demonstrar o que iria acontecer.
Quando a coisa deu uma assentada, ele entrou de férias!
Logo que entrou de férias, saiu uma vaga para ele em outra clínica e mudamos totalmente o esquema das terapias.
Ele passou a fazer equoterapia na segunda (mas depois tem que voltar para a escola), fono, t.o e psico nas terças e quintas e integração sensorial na sexta!
Basicamente, terá apenas a quarta totalmente livre...
A aula retorna nessa terça 23/07 e passarei a levá-lo na segunda e buscá-lo todas as terças, quintas e sextas.
Isso ainda não aconteceu, mas acredito que poderá ser um ponto positivo para ele, saber que a mamãe estará no CMEI praticamente todos os dias, exceto nas quartas.
Esse foi o relato das "pequenas" alterações que possivelmente, por terem mudado diretamente as rotinas, pode ter "desorganizado" ou "desequilibrado" suas questões comportamentais.
Fato é que em todo esse período, ele teve perdas importantes: limiar de frustração, lidar com a espera em atividades que requerem maior concentração e a permanência durante um breve período numa mesma atividade.
Parece uma grande confusão?
Sim! E é com certeza!
Resta saber como vamos organizar da melhor forma possível tudo isso que já havíamos conquistado e perdemos em algum momento, para que ele possa assimilar essa nova forma de funcionamento.
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