Nesses dias em que tenho falado mais abertamente sobre o Théo, o que mais tenho ouvido é: "- Mas é só por causa da irritação dele que pensam que ele é autista?"
Essa frase já vem acompanhada pelas vivências de cada um, que eu respeito e concordo ou discordo, dependendo da história que ouço.
Levo sempre em consideração que cada ser humano é único e que seu desenvolvimento acaba sendo diferente, frente às características que podem ser desde genéticas, ambientais, econômicas, culturais e etc...
Não existe um padrão único no desenvolvimento de uma criança, mas existem sim, sinais que servem como parâmetros, amplamente observados, analisados, pesquisados e estudados pela ciência, que nos trazem "indicativos" de que algo fugiu à normalidade.
Dentro desses sinais, observamos no Théo, coisas que julgamos preocupantes.
O sinal de alerta, ou, a porta de entrada que iniciou nosso mergulho em busca dessas respostas que hoje buscamos, foi sim a agressividade. Mas é muito mais complexo que isso.
Hoje, o Théo tem uma comunicação verbal ótima, uma fala bem articulada, olha nos olhos, embora o contato com estranhos seja sempre breve (não mantém contato por mais que poucos segundos).
Ele não foge das pessoas, muito pelo contrário... ele interage com elas e é até bem "exibido" eu diria.
Mas tem muitas e muitas dificuldades.
Na interação social, não compreende expressões faciais, não entende e nem aceita limites.
Às vezes precisamos chamar ele 50 vezes ou achar uma palavra mágica para fazer ele olhar.
Quando está andando na rua, volta e meia, resolve fazer alguns caminhos... tipo subir e descer uma escada. E fica repetindo isso sem parar e não sai daquilo.
Precisamos ter uma dose hiper, mega, ultra, power de paciência porque nem sempre temos tempo, mas se tirar ele a força nessa hora: crise!
Em alguns momentos acho que apresenta o que chamam de "estereotipia" e se chacoalha, como se dançasse, principalmente em momentos de euforia ou estresse.
Hoje em dia está mais alheio... Antes, por exemplo, se estivéssemos no banheiro com o chuveiro aberto e falasse pra ele, vamos tomar... ele respondia "banho".
Hoje, a maioria das perguntas que faço, ele não completa e apenas chacoalha a cabeça afirmativamente, de uma maneira bem vaga.
Perguntava sobre a rotina do CMEI e ele contava detalhes, agora responde à maioria das coisas com "não sei".
Me preocupa demasiadamente!
A parte sensorial é bem afetada: o toque para ele é algo extremamente perturbador e desagradável!
Às vezes um abraço pode ser o momento em que você vai sair com um machucado bem sério no rosto, pois ele vai fazer uma cara fofa, você vai pensar que está tudo bem, mas como as expressões faciais não se conversam, o que ele está pensando é inversamente "proporcional" ao que você está pensando!
Já cheguei a pensar que pra ele, bater é uma forma de carinho, mas acho que realmente é uma defesa, a forma que ele encontra de sair daquilo que ele acha desconfortável.
Banho? Hora da tortura! A sensibilidade corporal dele é assustadora, uma gota d'água que caia num lugar diferente, ou um lugar que ele não goste, gera uma crise!
Mas ele ama ver a água caindo... fica horas brincando de colocar a água em potes, gosta do som, do movimento e parece relaxar com aquilo.
Mas se ele quer algo e não sabe como dizer, crise!!!
Banho normalmente é uma hora crítica... tem dias que é até mais tranquilo, mas via de regra, sempre é um momento de muita tensão!
Cortar unha, até é bem normal que a maioria das crianças não goste, mas no caso dele, eu definitivamente desisti de tentar enquanto ele está acordado.
Sinceramente acho que um dia o Conselho Tutelar vai bater lá em casa nessa hora, achando que estamos numa sessão de tortura... os vizinhos devem pensar algo assim, porque a gritaria é inevitável.
Agora aprendi a esperar ele atingir um estágio de sono bem profundo pra fazer isso e mesmo assim, às vezes não consigo nem dormindo, tamanha sua sensibilidade.
Texturas, toque... tudo é difícil pra ele, tem fobias de muitas coisas, flores, folhagens... tem pavor absoluto!
Quanto à sensibilidade ao som, acho que já comentei anteriormente... carros de som podem ser assustadores, carros com motores barulhentos, sons metálicos, uma vasta lista de barulhos que ele reage mal.
Andar de ônibus é estressante, além do barulho, parece que às vezes ele sente um certo desiquilíbrio e não consegue se "ajeitar" no meu colo. Fica bem nervoso tentando encontrar uma posição: em pé, sentado, deitado e chora... parece bem desconfortável pra ele!
Ambientes fechados e barulhentos então, bingo: crise!
Alguns lugares que fui fazer consulta com ele, só pelo simples fato de serem locais diferentes e fechados, já geram um grande e visível desconforto nele... fica extremamente agitado, chora, grita e quer sair a todo custo.
Na homeopata, virou as cadeiras de perna pro ar e abriu a porta desesperadamente algumas vezes.
No neuro, gritou muito e também tentou a saída!
Se essas características colocam ele dentro do espectro?
Não sei... mas como mãe, estou de olho, estou alerta e estou fazendo o que julgo correto!
Estamos investigando e depois de um diagnóstico multidisciplinar com laudo positivo para o autismo, vamos aguardar o parecer comportamental do psiquiatra esse mês e iniciar as novas testagens com a equipe do neuro.
Enquanto isso, seguimos com as intervenções de psicoterapia em ABA, fonoaudiologia e terapia ocupacional e continuamos aguardando a psicomotricidade aquática pela APABB e ainda buscamos musicoterapia gratuita já que nossos recursos financeiros não permitem mais nada no nosso (apertado e difícil) orçamento.
P.S: tem muito mais coisa que eu poderia listar aqui, mas fiz um resumão dos pontos principais, que me chamam mais a atenção e tem maior impacto em nosso dia a dia.
Essa frase já vem acompanhada pelas vivências de cada um, que eu respeito e concordo ou discordo, dependendo da história que ouço.
Levo sempre em consideração que cada ser humano é único e que seu desenvolvimento acaba sendo diferente, frente às características que podem ser desde genéticas, ambientais, econômicas, culturais e etc...
Não existe um padrão único no desenvolvimento de uma criança, mas existem sim, sinais que servem como parâmetros, amplamente observados, analisados, pesquisados e estudados pela ciência, que nos trazem "indicativos" de que algo fugiu à normalidade.
Dentro desses sinais, observamos no Théo, coisas que julgamos preocupantes.
O sinal de alerta, ou, a porta de entrada que iniciou nosso mergulho em busca dessas respostas que hoje buscamos, foi sim a agressividade. Mas é muito mais complexo que isso.
Hoje, o Théo tem uma comunicação verbal ótima, uma fala bem articulada, olha nos olhos, embora o contato com estranhos seja sempre breve (não mantém contato por mais que poucos segundos).
Ele não foge das pessoas, muito pelo contrário... ele interage com elas e é até bem "exibido" eu diria.
Mas tem muitas e muitas dificuldades.
Na interação social, não compreende expressões faciais, não entende e nem aceita limites.
Às vezes precisamos chamar ele 50 vezes ou achar uma palavra mágica para fazer ele olhar.
Quando está andando na rua, volta e meia, resolve fazer alguns caminhos... tipo subir e descer uma escada. E fica repetindo isso sem parar e não sai daquilo.
Precisamos ter uma dose hiper, mega, ultra, power de paciência porque nem sempre temos tempo, mas se tirar ele a força nessa hora: crise!
Em alguns momentos acho que apresenta o que chamam de "estereotipia" e se chacoalha, como se dançasse, principalmente em momentos de euforia ou estresse.
Hoje em dia está mais alheio... Antes, por exemplo, se estivéssemos no banheiro com o chuveiro aberto e falasse pra ele, vamos tomar... ele respondia "banho".
Hoje, a maioria das perguntas que faço, ele não completa e apenas chacoalha a cabeça afirmativamente, de uma maneira bem vaga.
Perguntava sobre a rotina do CMEI e ele contava detalhes, agora responde à maioria das coisas com "não sei".
Me preocupa demasiadamente!
A parte sensorial é bem afetada: o toque para ele é algo extremamente perturbador e desagradável!
Às vezes um abraço pode ser o momento em que você vai sair com um machucado bem sério no rosto, pois ele vai fazer uma cara fofa, você vai pensar que está tudo bem, mas como as expressões faciais não se conversam, o que ele está pensando é inversamente "proporcional" ao que você está pensando!
Já cheguei a pensar que pra ele, bater é uma forma de carinho, mas acho que realmente é uma defesa, a forma que ele encontra de sair daquilo que ele acha desconfortável.
Banho? Hora da tortura! A sensibilidade corporal dele é assustadora, uma gota d'água que caia num lugar diferente, ou um lugar que ele não goste, gera uma crise!
Mas ele ama ver a água caindo... fica horas brincando de colocar a água em potes, gosta do som, do movimento e parece relaxar com aquilo.
Mas se ele quer algo e não sabe como dizer, crise!!!
Banho normalmente é uma hora crítica... tem dias que é até mais tranquilo, mas via de regra, sempre é um momento de muita tensão!
Cortar unha, até é bem normal que a maioria das crianças não goste, mas no caso dele, eu definitivamente desisti de tentar enquanto ele está acordado.
Sinceramente acho que um dia o Conselho Tutelar vai bater lá em casa nessa hora, achando que estamos numa sessão de tortura... os vizinhos devem pensar algo assim, porque a gritaria é inevitável.
Agora aprendi a esperar ele atingir um estágio de sono bem profundo pra fazer isso e mesmo assim, às vezes não consigo nem dormindo, tamanha sua sensibilidade.
Texturas, toque... tudo é difícil pra ele, tem fobias de muitas coisas, flores, folhagens... tem pavor absoluto!
Quanto à sensibilidade ao som, acho que já comentei anteriormente... carros de som podem ser assustadores, carros com motores barulhentos, sons metálicos, uma vasta lista de barulhos que ele reage mal.
Andar de ônibus é estressante, além do barulho, parece que às vezes ele sente um certo desiquilíbrio e não consegue se "ajeitar" no meu colo. Fica bem nervoso tentando encontrar uma posição: em pé, sentado, deitado e chora... parece bem desconfortável pra ele!
Ambientes fechados e barulhentos então, bingo: crise!
Alguns lugares que fui fazer consulta com ele, só pelo simples fato de serem locais diferentes e fechados, já geram um grande e visível desconforto nele... fica extremamente agitado, chora, grita e quer sair a todo custo.
Na homeopata, virou as cadeiras de perna pro ar e abriu a porta desesperadamente algumas vezes.
No neuro, gritou muito e também tentou a saída!
Se essas características colocam ele dentro do espectro?
Não sei... mas como mãe, estou de olho, estou alerta e estou fazendo o que julgo correto!
Estamos investigando e depois de um diagnóstico multidisciplinar com laudo positivo para o autismo, vamos aguardar o parecer comportamental do psiquiatra esse mês e iniciar as novas testagens com a equipe do neuro.
Enquanto isso, seguimos com as intervenções de psicoterapia em ABA, fonoaudiologia e terapia ocupacional e continuamos aguardando a psicomotricidade aquática pela APABB e ainda buscamos musicoterapia gratuita já que nossos recursos financeiros não permitem mais nada no nosso (apertado e difícil) orçamento.
P.S: tem muito mais coisa que eu poderia listar aqui, mas fiz um resumão dos pontos principais, que me chamam mais a atenção e tem maior impacto em nosso dia a dia.