19 de ago. de 2018

Os sinais...

Um bebê normal, lindo e saudável!
Nasceu de 37 semanas e 6 dias, com 2.940 Kg e 48 cm de cesárea, com duas circulares de cordão umbilical,  num trabalho de parto que iniciou dois dias antes, com contrações e dilatação, embora ele estivesse totalmente fora do canal de parto.
Sua gestação iniciou com intercorrências preocupantes, como placenta prévia e um sangramento por volta de 12 semanas decorrente de um descolamento, com a necessidade  do uso de medicações como duphaston e utrogestan, aliados a repouso absoluto por 30 dias,  que favoreceram a cicatrização  total do descolamento, permitindo que a gestação prosseguisse.
Na vigésima quinta semana, novo susto... estava trabalhando e comecei a sentir fortes dores. Resolvi averiguar a situação na maternidade e para minha surpresa estava com 2 de dilatação.
Dali em diante, o repouso foi mais do que uma recomendação médica... foi a única maneira de manter a gestação até o mais próximo possível do final.
O esperado: 40 semanas, mas torcemos a cada dia que se passou, a cada semana que se completou, a cada novo ultrassom, a cada grama, a cada centímetro ganho, até finalmente chegar maio para trazê-lo de presente para nossos braços e pras nossas vidas!
E ele veio de presente, tão pequeno e tão frágil, mas tão carregado de amor, que andou de colo em colo na sua estréia por esse mundo.
Andou pela casa da vovó, até a titia veio cuidar dele enquanto a mamãe ficou internada com um problema no útero por complicações pós cesárea.
Théo teve dificuldades para mamar no seio nos primeiros dias, o que lhe custou a perda de 500 gramas no seu peso e um trauma que a mamãe até hoje parece que não superou (é psica pela alimentação dele).
Precisou iniciar complemento com fórmula e na verdade o seio se tornou o complemento e a fórmula virou sua fonte principal de alimentação, até mais ou menos 3 meses, até que, depois de tentar relactar, insistir e se frustrar cada vez mais, mamãe com muita dor no coração e muito leite, desistiu daquilo que parecia uma tortura pro bebê e passou a usar apenas mamadeira.
Então Théo mamava e vomitava muito, muitas vezes, um dia precisava ir a uma consulta e num espaço de 30 minutos, trocamos 11 camisetas até finalmente conseguirmos sair de casa.
Era o refluxo a bola da vez!
Correria com gastro, redução das quantidades da mamadas, medicação, muda a postura, coloca pra dormir do lado da cama, não pisca a noite, pânico com qualquer som de madrugada de medo de engasgos... fase difícil!
Nessa época, que não sei bem precisar quando iniciou, mas deve ter sido muito, muito cedo, foi quando comecei a perceber algo que me chamou a atenção.
No início até passou batido, pois segundo a gastro e a pediatra, teria ligação com o refluxo e o desconforto que ele sentia, mas na verdade, mais tarde vi que as coisas não tinham relação alguma.
Principalmente antes de dormir, ele movia a cabeça de um lado para o outro, de uma forma frenética.
O refluxo cessou por volta dos sete ou oito meses, esse hábito de movimentar a cabeça, não.
Perdurou por um bom tempo, às vezes ainda faz, mesmo que muito raramente.
Cheguei a fazer uma investigação através de tomografia, para descartar a possibilidade de algo neurológico já que o perímetro cefálico dele sempre foi um pouco acima do normal, mas o exame não demonstrou qualquer alteração e a conclusão foi que a cabeça dele era grande, apenas por uma questão de características físicas, que estavam em consonância com o desenvolvimento do seu corpo.
Creio que essa questão especificamente, foi a primeira coisa que me chamou a atenção no Théo, que me fez pensar em autismo, mas muito despreocupadamente.
Sempre fiz consultas de rotina mensais, com um bombardeio de perguntas além do normal de qualquer pai ou mãe comum.
Acho que é por isso que sou conhecida no consultório da pediatra, no posto de saúde onde ela trabalha e em todos os locais onde preciso ir rotineiramente, que envolvam de alguma forma a saúde de meu filho.
Estranho, eu tenho uma filha 21 anos mais velha que ele, não sou mãe de primeira viagem, tenho experiência com crianças, trabalhei em berçário, fiz magistério, mas o Théo é uma criança totalmente diferente para mim.
Ele é um menino que ao mesmo tempo me fascina e me intriga e não consigo decifrar o que é que ele tem de diferente... não é questão de ser ou não normal, mas de parecer que ele não se adapta ao nosso mundo ou nós não nos adaptamos ao dele.
Isso soa extremamente estranho a uma mãe... mas é realmente uma equação a ser fechada, mas não sei a fórmula para resolver!
Quando ele tinha 1 ano e 1 mês, observei algumas coisas que me deram o "estalo" novamente e conversei com um amigo, pai de autista.
Não sabia absolutamente nada, mas me preocupavam na época, além desse "chacoalhar" da cabeça, a sensibilidade aos sons, alguns comportamentos compulsivos (nessa época era colocar a mão na boca até quase vomitar e não adiantava fazer nada porque ele não parava de jeito nenhum), a falta de limite, comportamento desafiador, o não ter medo de nada, alguns momentos de olhar perdido, sentar e girar com as pernas, fazendo um "reloginho", gostar do barulho dos brinquedos caindo.
Mas nessa época, descrevia ele como "um doce de criança" e revendo a conversa com esse amigo, ainda releio a frase: - "Tomara que não mude".
E ele mudou... ele é uma criança maravilhosa, extremamente inteligente, cativante, faz coisas realmente surpreendentes para a idade dele, coisas inexplicáveis, que não se sabe como, onde e com quem e de que forma aprendeu.
Tem uma forma de raciocínio muito peculiar, faz associações com figuras, com uma lógica absurda.
Lembrando que ele tem 2 anos e 3 meses, é quase um bebê! Mas tem coisas que ele fala, que eu mesma nunca tinha sequer pensado, nunca da forma que ele pensa, pensou... é intrigante!
Mas por outro lado, ele é extremamente agitado, irritado e agressivo.
A agressividade é realmente algo que me incomoda muito, porque ela não vem acompanhada de um motivo, não precisa de um gatilho para ser disparada e isso acaba sempre causando lesões, ferimentos e machucados em alguém.
Mamãe, papai, irmã, vovó... todo mundo já teve um corte, um arranhão, uma mordida, perdeu um chumaço de cabelo ou todas as alternativas juntas ao mesmo tempo, porque tem o combo Théo.
Final de 2017 comecei a perceber que essa agressividade vinha numa crescente e pedi para a pediatra um encaminhamento para atendimento psicológico para tentar entender o que estava acontecendo.
Aí vieram as férias do CMEI e a espera pelo atendimento que demorou meses para acontecer pela Unimed Curitiba.
Depois de 2 meses de férias, mudança no transporte escolar e consequentemente, alteração da rotina, passamos por 2 meses muito turbulentos nessa volta.
Todo dia a ida para a creche era uma tortura, gritos, berros, choro compulsivo e vômitos!
Meu coração de mãe estava entrando em desespero, embora eu acreditasse que logo fosse passar, mas não passava!
E esse talvez tenha sido um dos sinais mais importantes: mudança da rotina!!!
Como foi difícil passar por tudo isso, mas foi o ponto chave para o diagnóstico, pois aí iniciamos uma conversa com o CMEI para tentar entender e ajudar ele nessa adaptação no retorno, e as coisas foram acontecendo.
Continuo a contar, na parte do diagnóstico!  

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