Março e abril foram meses bastante turbulentos e realmente algo precisava ser feito.
Fizemos algumas tentativas: florais (que ajudaram bastante), homeopatia (que teve zero eficácia) e pequenas adaptações na nossa rotina.
Percebemos que o sofrimento do Théo era grande ao entrar na van, o momento da separação era tão intenso e doloroso, que se tornou um ritual que trazia angústia para todos.
Mas sabíamos que era só aquilo: aquele momento e nada mais... que poucas quadras separavam nossa casa do CMEI, e que lá ele chegava já bem calmo.
Mas ao aproximar a conversa com as professoras, pedagoga e direção, começamos todos a criar um olhar mais atento ao comportamento dele.
No final de abril iniciamos a psicoterapia que a pediatra havia dado encaminhamento em dezembro. Foram meses de espera, com a desculpa que a Unimed teria poucos profissionais habilitados para atender crianças nessa faixa etária (coisa que hoje sei que talvez não seja totalmente verdade, pois o atendimento deles nas terapias não é adequado à demanda e as filas são imensas).
Começaram crises muito intensas em casa, sem motivos aparentes!
Momentos de cenas de terror: uma criança chorando descontroladamente, se machucando, se mordendo, se jogando e a maioria das vezes sem motivo algum (pelo menos sem motivos claros).
Uma vez cheguei a entrar no chuveiro de roupa e tudo com ele, de desespero de ver ele daquele jeito.
Outra vez precisei ir para fora, no gramado, para evitar que se machucasse, tamanha a força que ele investia contra o chão, batendo a cabeça, tentando se morder, me morder... Isso durou 40 minutos, até ele literalmente cair num sono profundo.
Birra? Mal criação? Não... de jeito nenhum!
É algo que vai muito além, algo muito mais intenso! E é algo que acontece inclusive durante o sono e que eu achava que fosse terror noturno, mas hoje já não sei de mais nada!
No CMEI as informações começaram a ser sobre sua agressividade, que ele investia primeiramente contra os colegas, em disputas de brinquedos, algo absolutamente normal... passou para agressão contra as professoras, depois passou a se incomodar com ruídos, tapar os ouvidos e sair correndo, fechar as mãos com força como se sentisse uma grande ira e por fim, isolar-se.
De tanto eu procurar a escola para tentar entender o que estava acontecendo, um dia a escola me procurou!
Era a diretora, me fazendo a proposta de fazer uma avaliação numa renomada clínica, especializada em diagnóstico precoce de autismo.
Eu fui, de peito aberto, procurando o melhor para ele, tentando entender tudo o que estava acontecendo, para que, se algo estivesse errado, oportunizar intervenções precoces a ele.
Fizemos anamnese e logo iniciaram as testagens, com uma equipe multidisciplinar, que envolve profissionais como psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, entre outros.
Na primeira, participei com ele e vi as sua reações, o desconforto com as texturas, alguns momentos em que ficou alheio aos estímulos, sua sensibilidade auditiva sempre muito presente.
Esperei com muita angústia a devolutiva.
Confesso que realmente esperava que a resposta fosse positiva para o autismo, mas o nível me surpreendeu!
Aí comecei a criar monstros na minha cabeça, que desde o dia que recebi o diagnóstico, me apavoram um pouco (ou muitíssimo).
A conclusão: seu filho está dentro do espectro autista num nível moderado, digamos assim, por exemplo... que numa escala que vai de zero a cem o Théo está no 40.
Acho que eu esperava que fosse menos sério que isso, que fosse quase nada, algo quase imperceptível!
Mas o tiro de misericórdia veio com a fala da diretora da clínica, que ecoa até hoje na minha mente e me traz lágrimas inevitáveis ao escrever e relembrar:
"-Mãe, sua corrida agora é contra o tempo para iniciar as terapias! O Théo hoje se desenvolve normalmente, mas ele pode chegar aos 3 anos e parar totalmente de se desenvolver, cair num abismo, se isolar e parar inclusive de falar!"
Foi quase como me tirar o meu filho... algo altamente desesperador!
Ninguém poderia se colocar no meu lugar naquele momento e sentir o que eu senti... mesmo sendo boa em descrever sentimentos, esse eu não consigo colocar em palavras!
Foi um vazio, uma dor tão grande e ali nasceu uma luta que nunca mais cessou.
Acho que às vezes tenho parecida uma louca, buscando tudo o que está ao meu alcance, mesmo com a escassez de recursos financeiros.
Mas coração de mãe não tem limites e tentamos fazer o melhor sempre.
Consegui através de uma rifa, uma consulta com um ótimo neurologista, que resolveu fazer uma nova investigação do zero, com um olhar não apenas voltado para o espectro autista (embora isso esteja sendo considerado também), mas para aspectos comportamentais, como o TDDH, que eu nunca havia ouvido falar, que é um trastorno de humor, Transtorno Disruptivo de Desregulagem de Humor e também um trastorno que precede o espectro autista, mas é próximo a ele, mas muito mais leve e mais fácil de tratar segundo o médico.
Mas ele me alertou: não estou dizendo que ele não esteja dentro do espectro!
E não estamos criando nenhuma expectativa quanto a isso, só queremos respostas concretas, o mais adequado e melhor tratamento possível.
As testagens irão começar no fim desse mês de agosto de 2018 através do Instituto Pelé de Pesquisa do Pequeno Príncipe e estamos bastante otimistas em fechar um diagnóstico definitivo, qualquer que seja ele!
Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos, data provável para esse diagnóstico: meados de setembro devido a algumas alterações nos horários.
Fizemos algumas tentativas: florais (que ajudaram bastante), homeopatia (que teve zero eficácia) e pequenas adaptações na nossa rotina.
Percebemos que o sofrimento do Théo era grande ao entrar na van, o momento da separação era tão intenso e doloroso, que se tornou um ritual que trazia angústia para todos.
Mas sabíamos que era só aquilo: aquele momento e nada mais... que poucas quadras separavam nossa casa do CMEI, e que lá ele chegava já bem calmo.
Mas ao aproximar a conversa com as professoras, pedagoga e direção, começamos todos a criar um olhar mais atento ao comportamento dele.
No final de abril iniciamos a psicoterapia que a pediatra havia dado encaminhamento em dezembro. Foram meses de espera, com a desculpa que a Unimed teria poucos profissionais habilitados para atender crianças nessa faixa etária (coisa que hoje sei que talvez não seja totalmente verdade, pois o atendimento deles nas terapias não é adequado à demanda e as filas são imensas).
Começaram crises muito intensas em casa, sem motivos aparentes!
Momentos de cenas de terror: uma criança chorando descontroladamente, se machucando, se mordendo, se jogando e a maioria das vezes sem motivo algum (pelo menos sem motivos claros).
Uma vez cheguei a entrar no chuveiro de roupa e tudo com ele, de desespero de ver ele daquele jeito.
Outra vez precisei ir para fora, no gramado, para evitar que se machucasse, tamanha a força que ele investia contra o chão, batendo a cabeça, tentando se morder, me morder... Isso durou 40 minutos, até ele literalmente cair num sono profundo.
Birra? Mal criação? Não... de jeito nenhum!
É algo que vai muito além, algo muito mais intenso! E é algo que acontece inclusive durante o sono e que eu achava que fosse terror noturno, mas hoje já não sei de mais nada!
No CMEI as informações começaram a ser sobre sua agressividade, que ele investia primeiramente contra os colegas, em disputas de brinquedos, algo absolutamente normal... passou para agressão contra as professoras, depois passou a se incomodar com ruídos, tapar os ouvidos e sair correndo, fechar as mãos com força como se sentisse uma grande ira e por fim, isolar-se.
De tanto eu procurar a escola para tentar entender o que estava acontecendo, um dia a escola me procurou!
Era a diretora, me fazendo a proposta de fazer uma avaliação numa renomada clínica, especializada em diagnóstico precoce de autismo.
Eu fui, de peito aberto, procurando o melhor para ele, tentando entender tudo o que estava acontecendo, para que, se algo estivesse errado, oportunizar intervenções precoces a ele.
Fizemos anamnese e logo iniciaram as testagens, com uma equipe multidisciplinar, que envolve profissionais como psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, entre outros.
Na primeira, participei com ele e vi as sua reações, o desconforto com as texturas, alguns momentos em que ficou alheio aos estímulos, sua sensibilidade auditiva sempre muito presente.
Esperei com muita angústia a devolutiva.
Confesso que realmente esperava que a resposta fosse positiva para o autismo, mas o nível me surpreendeu!
Aí comecei a criar monstros na minha cabeça, que desde o dia que recebi o diagnóstico, me apavoram um pouco (ou muitíssimo).
A conclusão: seu filho está dentro do espectro autista num nível moderado, digamos assim, por exemplo... que numa escala que vai de zero a cem o Théo está no 40.
Acho que eu esperava que fosse menos sério que isso, que fosse quase nada, algo quase imperceptível!
Mas o tiro de misericórdia veio com a fala da diretora da clínica, que ecoa até hoje na minha mente e me traz lágrimas inevitáveis ao escrever e relembrar:
"-Mãe, sua corrida agora é contra o tempo para iniciar as terapias! O Théo hoje se desenvolve normalmente, mas ele pode chegar aos 3 anos e parar totalmente de se desenvolver, cair num abismo, se isolar e parar inclusive de falar!"
Foi quase como me tirar o meu filho... algo altamente desesperador!
Ninguém poderia se colocar no meu lugar naquele momento e sentir o que eu senti... mesmo sendo boa em descrever sentimentos, esse eu não consigo colocar em palavras!
Foi um vazio, uma dor tão grande e ali nasceu uma luta que nunca mais cessou.
Acho que às vezes tenho parecida uma louca, buscando tudo o que está ao meu alcance, mesmo com a escassez de recursos financeiros.
Mas coração de mãe não tem limites e tentamos fazer o melhor sempre.
Consegui através de uma rifa, uma consulta com um ótimo neurologista, que resolveu fazer uma nova investigação do zero, com um olhar não apenas voltado para o espectro autista (embora isso esteja sendo considerado também), mas para aspectos comportamentais, como o TDDH, que eu nunca havia ouvido falar, que é um trastorno de humor, Transtorno Disruptivo de Desregulagem de Humor e também um trastorno que precede o espectro autista, mas é próximo a ele, mas muito mais leve e mais fácil de tratar segundo o médico.
Mas ele me alertou: não estou dizendo que ele não esteja dentro do espectro!
E não estamos criando nenhuma expectativa quanto a isso, só queremos respostas concretas, o mais adequado e melhor tratamento possível.
As testagens irão começar no fim desse mês de agosto de 2018 através do Instituto Pelé de Pesquisa do Pequeno Príncipe e estamos bastante otimistas em fechar um diagnóstico definitivo, qualquer que seja ele!
Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos, data provável para esse diagnóstico: meados de setembro devido a algumas alterações nos horários.
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