Estou com uma certa dificuldade em escrever pela falta de tempo...
Uma maratona de plantões, terapias, acompanhamentos, tarefas domésticas e os dias acabaram sendo engolidos rapidamente desde a última vez que consegui escrever.
Mas, seguindo a cronologia da história...
De todas as idas e vindas que tive desde que a palavra autismo foi incorporada as nossas vidas, nada me decepcionou tanto quanto as consultas com o psiquiatra.
A pediatra do Théo, sugeriu que além da avaliação como o neuro, (que foi bastante demorada), procurássemos também um profissional, que pudesse avaliar as questões comportamentais que ele apresentava.
Fiz contato com algumas pessoas, gostaria muito de encontrar alguém, que estivesse disposto a analisar o mundo do Théo e que nos desse respostas sobre ele.
A essas alturas, já sabíamos que algo realmente fugia da normalidade, mas não tínhamos idéia do que... poderia ser autismo, transtorno opositor desafiador, hiperatividade, TDAH, etc.
Conversei com uma psiquiatra que esteve no meu trabalho em outubro de 2017, dando palestra de emergências psiquiátricas, que me pareceu uma profissional competente e séria.
Na ocasião do curso, ela mencionou que a psiquiatria infantil quase inexiste no sistema de saúde, principalmente no setor público...
Descobri que psiquiatras na área infantil e que atendam crianças na faixa etária dos 2 anos, são raros.
Infelizmente, ela não poderia ver o caso do Théo, mas indicou um colega e descobri que praticamente ninguém atendia convênio e o valor de uma consulta particular era inviável para mim.
Acabei contactando a Unimed acerca dos profissionais que atenderiam essa especialidade e me indicaram um... "o único"!
Marquei consulta com ele, já bastante ressabiada.
A secretária, logo no primeiro contato, informou que o médico pedia 3 consultas, para apenas no último, dar o seu diagnóstico.
Na consulta inicial, acabei levando o Théo junto, mas descobri que ele não precisava ter ido, que era apenas uma anamnese e no final das contas, ele atrapalhou um pouco esse primeiro contato.
Estava inquieto e desconfiado, queria mexer em tudo e num momento de "birra", arremessou a mamadeira, que atravessou a sala do médico.
Conversamos sobre a gestação, o parto, os primeiros meses de vida do Théo, o desenvolvimento motor, a fala e etc.
Agendamos a segunda consulta, onde o Théo teria o contato diretamente com o médico, sem a minha interferência ou participação.
Na segunda consulta, o Théo entrou sozinho e no final veio correndo para mim, mas com ares de desconfiança sobre o que estava acontecendo ali.
O doutor nada me disse!
Agendamos a terceira... imaginei eu, que o médico ia chamá-lo, e depois no final conversaríamos sobre o diagnóstico sob o ponto de vista psiquiátrico.
Quando cheguei, fui convidada a entrar no consultório e me sentei diante do médico.
Não quero, de maneira nenhuma, desmerecer a capacidade do profissional ou dizer se ele é "bom" ou "ruim"... apenas não me pareceu razoável a avaliação, a conduta e a devolutiva, que aliás, durou cerca de 5 minutos.
Ele falou que como o Théo fez contato com ele, estava descartado o autismo e que os testes aplicados anteriormente, que caracterizavam comportamentos de padrão do espectro autista, era como se eu mandasse a criança pro Detran para fazer habilitação: que ele não tinha maturidade para tal!
Confesso que meu cérebro deu um nó e fiquei bastante descrente com tudo o que ouvi.
Todos os testes que foram aplicados, foram feitos de acordo com a idade cronológica dele, o teste ADOS (escala para observação diagnóstica do autismo) feito de forma bastante lúdica, com objetos de interesse da faixa etária dele.
Então fiquei achando a fala dele bastante equivocada, sem contar que esperei que no mínimo houvesse algum laudo escrito atestando o diagnóstico dele.
Mas além dessas palavras, ainda continuou... disse que o Théo era muito novo e qualquer coisa era pra eu voltar e fim.
Foi só isso mesmo e nada mais!
Não levei nem a sério, porque dias antes dessas duas últimas consultas, o neuro havia solicitado novas testagens para confirmar se havia TEA ou poderia ser algum outro transtorno, como o TDDH que eu nunca nem tinha ouvido falar (não, não é TDAH, é transtorno disruptivo da desregulação de humor).
O neuro foi extremamente coerente em não dar um diagnóstico antes dessas avaliações e isso me fez sentir segura o suficiente para esperar por uma resposta... sabia que não teria uma resposta tipo: "seu filho não tem nada" e apenas isso.
Confiei e assim começamos as testagens pelo Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe.
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